

Neurocomputing of Performativity Research Group
Belas Artes e CNPq
É assim que eles nos vêem
São Paulo, 2025.
Sinopse
Instalação com dois vídeos e objeto (mesa e esticador de tela)
A instalação “É assim que eles nos veem” propõe uma reflexão crítica sobre os modos de ver mediados por sistemas algorítmicos, evidenciando o processo de abstração progressiva que se instaura entre o mundo da percepção e as imagens técnicas (FLUSSER, Villem). A obra é composta por dois monitores e uma mesa: no primeiro vídeo apresenta-se a interface de um sistema de inteligência artificial e, no outro, as imagens por ele geradas. Ambas derivam de fotografias de obras do acervo do MUBA — Praça Monteiro Lobato (1991), de Katia Salvany, e Sem título (s/d), de Marcos Lopes, e como elemento central, um alicate esticador de tela apoiado sobre a mesa estabelece o ponto de tensão entre o gesto humano e a operação algorítmica.
Se por um lado as “Imagens Tradicionais” (FLUSSER, Villem), como pinturas e desenhos, por si só já constituem uma abstração da realidade do tridimensional ao bidimensional, as fotografias, filmagens e imagens geradas por algoritmos a partir dessas obras, por outro, instauram uma sequência de abstrações que correspondem a formações e desmaterializações sucessivas de imagens técnicas, as quais a cada processo perdem dimensões físicas com o intuito de nos devolver visualmente parte do que é a realidade. Essas imagens, conforme define Vilém Flusser, não são mais a representação direta do mundo senão uma operação resultante de um programa que, destituídos de percepção e/ou experiência, tornam aquilo a matéria em código, e a presença em espectro e ruído.
Não há busca por um referente real, mas sim uma observação crítica daquilo que as máquinas consideram visível. Essa sobreposição de camadas realidade, imagem técnica, e registro da imagem técnica, gera um paradoxo: quanto mais se acumula precisão algorítmica, mais se intensifica a imprecisão perceptiva. A imagem gerada pelos algoritmos deixam de representar o visível para se tornar pixel, contraste, tabuleiro e trama de padrões numéricos. Nesse movimento a obra insere-se no eixo “Entre: tempo e lugar” uma vez que opera no entremeio entre a tradição da imagem e a sua reformulação técnica; entre o gesto humano e o cálculo automatizado; entre a luz do mundo e a luz da tela. Não propondo uma releitura das obras do acervo em si, mas um deslocamento de paradigma um convite a observar os modos como o tempo (da experiência) e o lugar (da presença) se diluem quando mediados pelas imagens que os algoritmos constroem sobre nós.
Obra produzida no contexto do projeto “Corpo, Mente, Rede: Diálogos entre Estados de Presença Poética, Inteligência Artificial e Ambientes Imersivos”, contemplado pelo edital do Ministério da Ciência e Tecnologia do Governo Brasileiro na forma de bolsas de iniciação científica (PIBIC - CAPES): Aprovado na Chamada CNPq N 05/2024 - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) 2024-2027.
Realizada no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo - FEBASP, com duração de 35 minutos. A exposição da obra final teve sua estreia na Mostra BA em Junho de de 2025.
Ficha Técnica:
Pesquisador / Orientador: Prof. Dr. Gustavo Sol
Equipe de pesquisa:
Desenho da Interface: Gustavo Sol;
Treinamento de IA: Paula Fernanda e Gustavo Sol;
Projeto: Paula Fernanda
Apoio, Materiais, Registro, Produção e Montagem: Lara Buffa, Luis Felippe e Estéfany Kuono.











