Dramaturgia Digital

Dramaturgia Digital: performatividade e neurocomputação com tecnologias de sensoriamento biométrico de baixo custo

 

 

Problema, Justificativa e Procedimentos Metodológicos

 

Muitos trabalhos propõem interação tecnológica observando o corpo apenas como um produtor de gestos, provocando e interagindo com a máquina sob a perspectiva do movimento e de ações intencionais do público e/ou do performer. E embora exista um relativo costume em se trabalhar com interações tecnológicas nas artes contemporâneas, ainda há uma percepção bastante vaga de que o sensoriamento de padrões biométricos das pessoas constitui-se de uma gramática própria que pode fundamentar a inter(ação) poética com o mundo.

 

A noção de Dramaturgia Digital implica exatamente na percepção de que o trabalho com as tecnologias de sensoriamento de padrões biométricos ajuda o artista a depurar sua poética, pois a escrita de sistemas de interação é um trabalho de criação simbólica.

 

Isso é defendido por pesquisadores como Monty Martin do Laboratório de Dramaturgia Digital da Universidade de Toronto, no Canadá, e por Mark Coniglio, criador do importante software de interação Isadora (Troika Tronix), com quem estudei em Berlin, em 2016, em função do meu doutorado (ECA/USP - Université Paul-Valery III, França e Centro de Epilepsia Suíço, Suíça). 

 

A aplicação de tecnologias de neurocomputação de baixo custo na performatividade é o foco de minha pesquisa e têm permitido criar dispositivos de interação sob a perspectiva dos estados neurais, emocionais e atentivos.

 

Diferentes flutuações fisiológicas respondem de diferentes modos à ações conscientes e inconscientes dos usuários/performers. As captações cardíacas, por exemplo, possuem diferentes regiões de potência e frequência em relação às captações musculares. A eletrônica dos sensores deve observar essas diferenças aplicando filtros e componentes específicos para que os sinais neurofisiológicos se tornem linguagem artística.

 

Minha pesquisa laboratorial e a obra Objeto Descontínuo, mostraram que é preciso reconhecer como a natureza de cada uma das diferentes dimensões biométricas se relacionam com outros elementos da arte, como por exemplo, a natureza sensível de cada sample de vídeo e som. Isso exige que o programador/escritor/poeta/performer lide com suas memórias, emoções e visões de mundo no momento da programação, pois essas relações são os fundamentos de suas proposições poéticas.

 

A utilização de sensores feitos para a plataforma Arduino conectada ao software Isadora (com o qual trabalho há quase dez anos em teatro, dança e performance) facilita a introdução nesse complexo universo e permitem a prototipagem de projetos individuais muito rapidamente. 

 

A compreensão desses processos é o início da dramaturgia digital e de uma poética neurocomputacional voltada para a performatividade ao vivo.

 

Nesta proposta de workshop, a introdução em relação à construção e ao uso laboratorial desses dispositivos biométricos ajudará os participantes a começar a trilhar esse fascinante caminho em dois dias de pequenos experimentos direcionados.

 

Portanto, esse workshop propõe divulgar técnicas e conhecimentos relativos à esse campo de interação e criação tecnológica, tendo como eixo fundamental a noção de Dramaturgia Digital, envolvendo noções contemporâneas de performatividade e neurocomputação por meio de tecnologias de sensoriamento biométrico, da plataforma Arduino e do software Isadora.

 

Objetivo

Workshop sobre performatividade e neurocomputação usando tecnologias de sensoriamento biométrico de baixo custo (Arduino e Isadora) e suas aplicações no campo das artes performativas e tecnologia, das instalações interativas, projetos de arte pública, cinema expandido, obras telemática, humanidades digitais, tecnologias vestíveis, biocomputação, robótica, humano/máquina, intermídia e etc.

 

 

Púbico Alvo

Qualquer pessoa interessada nos campos da interação humano/máquina, na plataforma Arduino, no Software Isadora e na noção de Dramaturgia Digital, em neurocomputação, computação afetiva, instalações interativas, detecção de estados biométricos e performance/performatividade ao vivo.Eixo Pedagógico

A noção de Dramaturgia Digital implica na percepção de que o trabalho com as tecnologias de sensoriamento de estados biométricos, tal como em um processo laboratorial, ajuda o artista a depurar as suas propostas e pulsões criativas em direção à criação de uma poética. Ou seja, o trabalho com tecnologias interativas é em si mesmo, um trabalho de escrita e criação de dimensões conceituais e simbólicas. Portanto, o eixo pedagógico do workshop consiste em responder à 3 perguntas fundamentais:

  • Como montar os sistemas tecnológicos de sensoriamento?

  • O quê estão sensoriando?

  • E como a escrita e a interação com esses sistemas ajudam você a descobrir seus impulsos poéticos? 

Metodologia

 

Carga horária varia de acordo com cada proposta de público

 

Cada encontro estrutura-se da seguinte forma:

  • Inicia-se com uma pequena apresentação do sistema tecnológico de interação e da performance Objeto Descontínuo;
  • Segue com os estudos específicos da computação envolvida;

  • Finalizando com estudos sobre utilização desse sistema em uma proposição poética.