Ficha técnica (credits)Direção (director): Juliana Moraes e (and) Gustavo Sol⎜Coreografia e interpretação (choreographer and interpreter): Juliana Moraes⎜Preparação de intérprete (theatre training): Gustavo Sol⎜Iluminação e direção técnica (lighting designer and technical director): Cristiano Pedott⎜Adaptação de projeto de luz: Fernando Pereira⎜Montagem e operação de luz e som: Armando Junior⎜Produção (producer): César Ramos e Gustavo Sanna / Complementar Produções⎜Canção (song): None but the lonely heart (Op.6 No.6), de Pyotr Tchaikovsky. Interpretação de (interpreted by) Christianne Stotijn e Julius Drake.

English version

DISMANTLE was created in response to a distressing personal experience, when Juliana Moraes’s partner (and co-director of the piece, Gustavo Sol), faced a serious illness. The choreographer begun to work with a book she had bought many years before, The Diary of Nijinsky, written in 1919, in the weeks before the famous dancer’s admission to a psychiatric hospital (which he would never leave). Initially written in articulated prose, slowly the words of the diary dismantle into onomatopoeias and syllabic repetitions. In the end, Nijinsky writes poems to important people of his life, as well as to the president of the Council of the Allied Forces and Jesus.Juliana begun to record herself reading these poems. She also recorded her own texts and got the habit of registering people talking on television, on the streets, in coffee shops etc. These sounds became the stimulus for the creation of accelerated and fragmented movements – many gestures to inhabit the same body that gradually short-circuits.DIMANTLE deals with many layers of signs, emotions and sensations: the pain of the other not to get lost in ones’s own, speech that is transmuted into gestures, ballet and its military discipline imposed by repetition, physical and psychological limits used as scenic structures.

SINOPSE

O solo DESMONTE foi criado como resposta a uma experiência pessoal angustiante, quando o parceiro de Juliana Moraes (o codiretor do trabalho, Gustavo Sol) enfrentou uma doença grave.
A doença de Gustavo foi diagnosticada em 2013, época em que Juliana já pretendia voltar a trabalhar sozinha (depois de seis anos dedicados à direção da Companhia Perdida). “A peça fala do desmonte físico e psíquico que estava vivendo naquele momento, dos traumas e medos”, conta a bailarina, que passou a levar consigo para os ensaios um livro que havia comprado muitos anos antes, O Diário de Nijinsky, depoimento do artista escrito em 1919, nas semanas que precederam sua internação em hospital psiquiátrico (de onde nunca mais sairia). Inicialmente escrito em prosa articulada, aos poucos as palavras do diário se desmontam em onomatopeias, repetições silábicas e fluxos de pensamento sem nexo aparente. No final, o livro reúne cartas escritas por Nijinsky em forma de poema para pessoas importantes de sua vida, como sua esposa Romola e o empresário Serge Diaghilev, mas também para o presidente do Conselho das Forças Aliadas e até mesmo para Jesus.
“Comecei a ler e gravar esses poemas, além de escrever textos próprios e de registrar pessoas falando na televisão, nas ruas e em vários outros locais. Os sons derivados das falas gravadas foram o estímulo para a criação de uma movimentação acelerada e fragmentada com a regra de que tudo que eu escutava tinha que transformar em movimento. São muitos gestos a habitar o mesmo corpo que, aos poucos, vai entrando em curto-circuito”, explica Juliana.
Nos primeiros 16 minutos de DESMONTE, Juliana está com fones de ouvido escutando os sons e vozes por ela gravados. A plateia escuta somente o barulho da movimentação da bailarina e sua respiração. Juliana faz do limite a estrutura de seu estado corporal, desafiando-se à vista do público, às vezes sendo mais capaz de controlar os impulsos, às vezes completamente passiva às vozes e sons que ela escuta através dos fones de ouvido.
A relação de ambivalência entre controle e descontrole se expande também para campainhas operadas pela cabine, que comandam a respiração da intérprete, e movimentos tradicionais do balé clássico – técnica na qual Nijinsky se tornou exímio – e que Juliana tenta, desde os oito anos de idade, trazer para seu corpo.
Com um figurino simples, sem maquiagem e sem penteado, Juliana desconstrói seus movimentos, corpo, voz e respiração. Nos minutos finais de DESMONTE a rigidez passa para o relaxamento e então a bailarina dança a única música da montagem: None but the lonely heart (Op.6 No.6), de Pyotr Tchaikovsky com interpretação de Christianne Stotijn e Julius Drake.
“O trabalho lida com muitas camadas de signos, emoções e sensações: a dor do outro para não se perder na própria, a fala que se transmuta em gestos, o balé e sua relação disciplinar pela repetição, estados de presença poética entre o controle e a entrega, o limite não como representação, mas como estrutura cênica”, conta Juliana.

 

Estreou em abril de 2015 no SESC Belenzinho – São Paulo/SP


 

Desmonte

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